Em 2022, a cidade de Valença preparava-se para celebrar o mês dos namorados sob o mote “Valença, Onde o Amor Acontece”. Foi neste contexto que o executivo municipal me lançou um desafio que adorei realizar: criar algo que materializasse este sentimento, que convidasse as pessoas a parar, a sentar-se e a partilhar um momento.
A resposta não estava longe. Voltei àquela madeira que tanto me diz, aos troncos dos plátanos centenários da nossa terra, os mesmos que já tinham dado alma ao nosso Presépio. Que melhor material poderia haver para falar de amor do que a madeira que testemunhou gerações de namorados a passear sob a sua sombra, que presenciou incontáveis histórias de afeto ao longo de décadas?
Havia uma ligação profunda que eu queria explorar: a ligação entre o amor e a natureza, expressa nas suas formas mais orgânicas.
O desafio era transformar estes troncos robustos em algo que convidasse à proximidade, ao conforto. O resultado foram três “Bancos do Amor”, cada um com a sua personalidade, esculpidos à mão, mas com a força bruta e a precisão de uma moto serra. Foi um trabalho de entrega, onde a delicadeza das formas do amor foi arrancada à madeira com uma ferramenta inesperada, num diálogo entre a sensibilidade e a potência.



Cada banco é uma peça única, com formas que evocam o abraço, a união, e motivos que remetem para o coração e para a paixão. Foram pensados para serem colocados em locais emblemáticos da nossa cidade, criando pequenos refúgios onde o amor pudesse, literalmente, acontecer.
Para mim, este projeto foi um dos mais gratificantes. Foi a oportunidade de pegar na madeira que é a memória viva da nossa cidade e dar-lhe uma nova função: a de ser o palco para as futuras memórias de amor de quem por aqui passa.
Porque em Valença, o amor não é apenas um sentimento no ar; está também esculpido, com alma e moto serra, na madeira da nossa terra.