No final da década de 80, em perfeito acordo com a minha mãe, plantámos dois pinheiros nórdicos no quintal. Eram um símbolo de futuro, de vida a crescer. Um deles ainda hoje existe, testemunha serena do passar do tempo. O outro, no entanto, tinha outros planos.
Por um erro estratégico meu, plantei-o num local que se revelaria fatal para a ordem das coisas. Perto de um poço sumidouro que lhe serviu de alimento constante, esta árvore cresceu com uma força e uma velocidade incríveis, quase selvagens. Disparou em direção ao céu, derrubou um muro, levantou o passeio. Atingiu perto de 17 metros de uma vitalidade imparável, uma força da natureza que se tornou demasiado grande para o espaço que lhe demos.
Com o coração apertado, por volta de 2016, tivemos de tomar a decisão de o parar. De o cortar.
Mas a história dele não podia acabar ali. Daquele tronco de madeira excelente, retirei um bocado. Tinha pena de não ter aproveitado mais, mas aquele pedaço era suficiente para lhe prestar uma homenagem.



Ao trabalhar naquela madeira, senti a sua história. Senti a sua virilidade, o seu crescimento explosivo. E foi essa força que quis perpetuar. A forma fálica da escultura não é um acaso; é a representação direta da potência criadora daquela árvore, uma força que se alimentou do que a terra lhe deu para chegar ao céu.
Chamei-lhe “Pilar da Criação”.
Com os seus 21 centímetros, esta peça é, para mim, um totem. Gosto muito da arte totémica, da sua imensa carga simbólica, e encontro nela muitas referências para as minhas criações. Este pilar não é apenas uma escultura; é a alma de uma árvore que se recusou a ser contida, transformada agora num símbolo eterno de crescimento e força vital. É a prova de que, mesmo quando temos de parar a natureza, a sua essência criadora pode encontrar uma nova forma de existir através da arte.