Existem obras que nascem com a sua própria música. Este quadro é uma delas. É uma peça invulgar, não só pela sua forma de disco, com quase dois metros de diâmetro, mas pela história que encerra. É uma tela que procura tocar a melodia do amor, da atração, daquela onda de paixão que une dois mundos.
A sua história começou com um pedido especial do Arquiteto José Abílio. O amor tinha-o levado a paragens distantes, ao sul de Angola, e ele queria uma obra que fosse um cenário, um mapa da sua própria história de afeto. Um cenário que unisse as suas origens, aqui no Minho, com as origens do seu amor, na região da Huíla, terra do povo Mumuílas.
O desafio era imenso: como pintar a harmonia entre duas identidades tão fortes e tão distantes?
A resposta estava nos símbolos, nas fortalezas de cada cultura.

De um lado, a nossa fortaleza de pedra, a zona amuralhada que resiste ao tempo, o símbolo das nossas raízes minhotas. Do outro, o Imbondeiro, também conhecido como Baobá, a árvore emblemática de Angola. Para o povo Mumuílas, o Imbondeiro é a sua fortaleza natural, um símbolo de força, resistência e vida.
Na tela, estas duas forças encontram-se. As cores quentes de África cruzam-se com a luz do nosso Minho. As culturas dialogam na perfeição, tal como a harmonia da vida quando encontra o seu par.
Executada a espátula com óleo sobre tela, esta obra, com o seu diâmetro de 173 cm, não é apenas uma pintura. É um abraço. É a prova de que o amor acontece nos lugares mais inesperados e que a arte tem o poder de lhe dar um lar, um cenário onde duas origens se tornam um só destino.